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Por uma vida menos ordinária...


Nesta escuridão infindável esperava ser uma luz. Mas sou apenas eu. No silêncio inquietante deste universo esperava ser um som. Mas sou apenas eu. Afogada em mil saudades, doces e amargas, perdida entre mil vontades, sou apenas eu. E não há mais poesia, não há mais som, não há mais cor que consigam aliviar o aperto deste coração tão sufocado. A existência é como se nada nunca tivesse existido. Olhando de perto, todos não passam de efígies sombrias. Tudo é tão eternamente distante; tudo me é tão espantosamente estranho. Inclusive eu, que não sou nada além de mim. Estranha. Solitária. Silenciosamente corroída pelo tempo, como todo o resto. Esperava ter a coragem de fazer algum verso. Mas sou apenas eu. Esperava ter alguma coragem. Mas sou apenas eu. Sou apenas eu mesma e não me resta mais ninguém, porque ninguém nunca houve, de fato.



Escrito por Anaestrel às 17:52:07
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Misantropia


Do mundo só sei a palavra...
A palavra presa na garganta.
A garganta aberta, as guelras coladas
O sangue coagulado,
O sufoco.
O silêncio dos índios a morrer de fome em estados inexistentes.
Os chacras despertos.
Os canais todos abertos.
O corpo.
O gado triste indo morrer em silêncio
neste momento
exato.
A vida muda de cada vida submersa.
E o silêncio dos peixes.
Sei o ritmo das coisas que acontecem num ritmo sem sentido.
O fetiche de cada instante.
Sei cada instante.
Do mundo só sei o não saber.
Só sei não querer dessas pessoas mesquinhas
o vazio do que tocam quando estão ao meu lado.
Ou o silêncio do que tocam quando estão sozinhas.
O nada que são.
Seus corações tão sem palavras.
E minha garganta a coagular-se inteira.
Minhas guelras secando,
Meu corpo sendo limpo e
Frito.
E depois digerido.
Consumido num ritual tão sem sentido.
Tão sem nada haver sentido.
Do mundo só sei meu desespero.
Meu desamparo.
Minha solidão.
Do mundo só sei desilusão.
Só sei a fome dos outros.
Fome por corpos sem ossos.
Sem pele, sem gordura.
Sem nervos.
Sem sangue.
Corpos que são devorados o tempo todo
antes mesmo de se perceberem corpos.
Vidas que se findam antes mesmo de se perceberem sós.
Que da vida só sei a solidão.
E o silêncio de palavras que poderiam ser ditas.
Escritas. Gritadas. Vividas. Escutadas.
Da vida só sei palavras esquecidas...
Palavras vazias
Tristes
e frias.
Desta vida e deste mundo não quero mais saber.
Quero a inteireza das pedras,
a infinitude do silêncio.
Quero os carinhos do vento.
A verdade da água.
Quero calar minhas palavras.
Simples anseios.
Apelos.
Surdos e famintos.
Ávidos por mais e mais palavras.
Quero nunca mais tanto vazio.
Quero nunca mais tanto frio.
Quero saciar a fome dos índios.
Quero calar as palavras do mundo!
Deste mundo sei tão pouco
desta vida, quase nada.
E, a cada segundo,
Quero saber menos.


Escrito por Anaestrel às 08:18:46
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E vem essa cigarra no meu peito...

De repente me vem esse coração, que não consegui sufocar com cafeína, num tropeçar sem freio, sem medo desse azul desse céu tão azul e tão claro e tão varrido, sem dó dos meus olhos cansados de olharem pra dentro, sem saber se me faz bem ou mal ao bater ou num suspiro parar pra sempre. E sem querer eu tenho que ver o tamanho disso tudo do lado de fora da janela, e vejo até a árvore da qual meu pai tirou um galho bem grande pra fazer de árvore de natal nos tempos da delicadezas... Eram dias chuvosos como têm sido esses dias todos até hoje de manhã, e de repente essa claridade linda, e a árvore, que era tão mirradinha, sacudindo as folhinhas ao sol, tão forte e tão verde, quase um coqueiro numa praia que nunca mais vou visitar. Um segundo de Serrado bem forte de repente aqui dentro, não cabendo nem em mim nem nessa cidade. E a beleza desse dia que nasceu sem que eu acordasse me assusta. Uma beleza de morte. Uma calma inquietante. Queria que não acabasse nunca, que eu sei bem lá dentro que esse céu azul e lindo vai levar hoje consigo alguma coisa bem forte bem pura bem bruta bem viva quase morta, negra como as crianças que trouxeram da África pra morrer distantes e com medo, mas sabendo que iam pra um mundo colorido e cheio de batuque e som e riso e chêro tempero. Eu sei que vai ser só essa manhã azul brilhante bem doído, e depois o mesmo sem cor de sempre. E quero essa sensação de parto que me enfraquece sem esse galope do meu coração insone e cansado de tanto café sem açúcar que eu jogo nele, e de tanto som sem sentimento, árido e frio, e de tanto vazio. De tanto pó pra tão pouca água. Tanto aperto. Não quero coração vermelho. Preciso dum coração azul, da cor desse céu... Pra quem sabe se sentir mais livre e achar que pode voar por cima desses telhados e se misturar a essa luz que invade todos os cantinhos e caquinhos desse mundão sem fim e sem porteira. Pra quem sabe o salto valer a pena. Pra, quem sabe, mandar o silencio... Pra quem sabe...




Escrito por Anaestrel às 10:59:08
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Sodade...


Começa de manhã, assim, de repente, depois de um sonho em terras distantes... Ou às vezes do nada, no meio do dia, depois de um perfume ou uma música antiga. A gente lembra que nasceu com o coração intacto, e que aos poucos foi se dividindo pelo mundo. E num surto de desapego, a gente passa anos se ancorando em portos distantes. A gente se abre, se joga, entrega de uma vez tudo o que é, sem se importar com o dia da partida. Esse dia sempre chega, e a gente vai embora num barquinho a remo, em busca de outros portos pra poder despejar todas as riquezas inestimáveis que encontramos em ilhas desertas... Como se o mundo, ficando cheio de histórias nossas, pudesse aliviar um pouco nossa dor de vivê-las uma só vez. Lembrar de cada rosto, de cada voz, de cada risada e vida trocada junta, é como tentar engolir de volta todos aqueles instantes que já se foram e se apagam cada vez mais na memória.
E o retorno é certamente mais doloroso, posto que nunca possível. Tudo se transforma o tempo todo – exceto o mundo, que continua o mesmo sempre – e a teia dos nossos dias deixados pra trás já se desfez: são dentes de leão plantados rigorosamente desalinhados. Não vale a pena voltar pra tentar colhê-los: nosso rastro é ventania. A gente não diminui quando se divide pelo mundo e pelas pessoas e pelas histórias e pelos momentos. A não ser que a gente queira. A não ser que a gente não tenha coragem de se doar por inteiro, de abandonar os navios, de espalhar os tesouros. É o medo que faz doer. O medo de no final ficar só, o medo de não aceitar isso nunca. O medo de não sobrar mais nada dentro da gente depois de um daqueles momentos de completa entrega.
Ser livre é ser infinito, ser quase livre é morrer de dor. Há que livrar-se dos sacos de areia e enfrentar dias de solidão pra alcançar as estrelas... Não se trata de habitar todas as casas, provar todas as sopas, beijar todas as bocas possíveis, uma após a outra. Trata-se de escolher uma fontezinha que seja, e nela mergulhar para sempre, pro resto da vida, até o último dos dias. Sem medo do que virá depois que a fonte secar. Sem o desejo cego de possuir a fonte com exclusividade. Sem a preocupação de se controlar o incontrolável. Sem o orgulho e a vaidade de se prender a ela para sempre. Ser livre é, também, ser só; mas principalmente ser inteiro. Ser livre é sofrer tentando, e morrer leve, sem o medo de, ao final de tanta auto-entrega, estar só consigo mesmo.


Escrito por Anaestrel às 22:48:56
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Último e despretencioso post sobre aquele assunto...

Parece um barco virado ao contrário. Um barquinho azul, onde pousam gaivotas.
Ou então é tipo... Mulheres com vestidos vermelhos. Centenas delas, tomando chuva na grama.
São gatos albinos passeando por plantações de melancias.
Um samurai em plena Paris. Assobiando uma valsinha. Quem sabe?
Talvez lembre mais um velho general descansando no balanço. Tomando suco de amoras.
São milhares de balões coloridos agarrados ao teto do asilo.
É mais ou menos como se fosse um dragão voando no espaço. Com medo do escuro.
Um vaso Ming estilhaçado dentro dágua. Na fonte de um pátio marroquino. Cheia de peixinhos dourados.
Como se fosse um espantalho dançando balé. Ou tango. Ou salsa. Isso??
Borboletas brancas voando a luz da lua.
É meio assim, tipo um medo. Não. Um grito. Um passo. Um acorde. Um susto.
Um salto. Um gole. Um sonho. Um apelo. É?
Um desespero. Um desmantelo. Um dedo de pinga numa noite daquelas.
Tipo isso...

Escrito por Anaestrel às 23:24:59
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Schlaf Gut...

Durma bem, amorzinho... Sonhe com anjinhos, com dias ensolarados, nuvens de algodão... Conte os carneirinhos, abrace o ursinho, reze baixinho... Não se preocupe em escovar os dentes, o suor já esfriou... Seu copo está no criado, o piniquinho sob a cama... Nada vai perturbar a inocência do seu sono... O bicho papão e o monstro do armário já se foram, devem estar jogando damas nalguma praça agora escura... Você não precisa saber das tristezas, nem pensar nas angústias, nas desilusões... O mundo é doce... A vida não vai ser covarde se você não souber que ela pode ser... Vão querer te vender muitas coisas, muitas idéias, muito lixo, e muito dinheiro... Mas você não precisa disso... Você não precisa saber nada sobre o budismo, nada sobre o anarquismo, nada sobre o simbolismo... Não queira conhecer o abstracionismo, não pense em entender o niilismo, não tente estudar o determinismo... Basta-lhe o calor dessas cobertas, basta-lhe a esperança, a alegria, o amor... Não aceite nem questione, não arrisque, não perca... Fique assim para sempre, de olhinhos fechados, pensando em lugares tranquilos... Não descubra, por favor, que eles não existem... Não tenha medo por favor de que isso acabe amanhã pela manhã... Não chore no meio dos seus sonhos... Descubra por favor como ser pra sempre pequeno, como ser pra sempre feliz, como ser pra sempre livre... Por favor...



Escrito por Anaestrel às 03:04:58
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Ó quanto riso...

A Colombina chegou à casa meio tonta da bebedeira. Cinco da manhã –suspirava pesado o relógio sobre o fogão. Por toda a noite vagara pelas ruas da cidade, embriagando-se com Pierrot, e ao mesmo tempo aguardando alguma aparição do Arlequim, num desespero daqueles de apertar o coração. Sentia o tempo todo uma inquietante angústia por tanto desperdício com maquiagem, perfume e salto alto. Isso sem falar na lingerie, que havia sido colocada com tanta paixão e que agora seria tirada com tanto desprezo. E no desejo, sufocado pela piedade, de apagar de vez da sua vida aquele Pierrot apaixonado. Vontade de esmagá-lo a cada palavra certa que ele proferia, a cada jura de amor que ele desferia, e cuspir-lhe na cara a cada beijo de piedade que ele suplicava! As roupas eram dignas de nojo. Um nojo imenso, que lhe contaminava o próprio corpo, as mãos e os cabelos antes perfumados e agora com o cheiro triste do cigarro e da gordura dos botecos. Um verdadeiro ódio pela maquiagem borrada pela noite, ódio dos brincos e colares arrancados pelos atos de desesperada e voluptuosa compaixão, ódio dos sonhos mortos e já apodrecidos espalhados pelos seios, pelo pescoço, pelo corpo inteiro. Um ódio pelo cheiro do sexo impregnando cada poro, cada gota de suor ressecada, cada lembrança, cada gargalhada gravada na cabeça.
A Colombina sabia que aquela noite havia sido apenas mais uma entre tantas em que se entregava ao prazer desesperado de sentir-se desejada a viva, apenas mais uma noite entregue à carência gulosa e áspera de um homem solitário e desprezível, apenas mais algumas horas de toda a sua vida de flor nascida no aterro, de borboleta pousada na sarjeta, de mulher perdida no mundo frio e sujo dos becos e dos loucos.
E sufocante era o nojo que aquela moça sentia diante de toda aquela beleza que agora manchava seu espelho. E suja era toda aquela poesia feita pelo Pierrot. Sujas todas as palavras, sujos todos os beijos e abraços e sonhos e lágrimas. Sujo era o amor que ela vira surgir naquele homem. Sujo, triste, verdadeiro, cruel, cruel, cruel...
Triste, ainda, era saber que o que lhe trazia todo esse nojo, todo esse desprezo, era justamente um amor nascido tão puro e tão grande, que o pobre Pierrot alimentava em seu coração, destruído em cada pedaço por cada palavra fria, cada riso debochado, cada olhar desprezível lançado por aquela moça para ele tão limpa. Limpa, pura, verdadeira. Mas triste, cruel, cruel, cruel...
Triste era o gosto de cachaça na garganta, triste era sentir o vazio dos sonhos perdidos e mortos. Triste o nojo dos homens, que tomava conta de todo o seu corpo, seus seios deliciosos, sua pele quente e macia, seus lábios corajosos e gulosos. O desejo é triste.
E naquela madrugada cruel e fria, já sem lingerie, sem perfume, sem maquiagem, olhando a cidade ainda escura pela janela, onde certamente vagava pelas ruas amargas um Pierrot desconsolado, sentindo o gosto azedo da cachaça suportada durante a noite, com nojo do próprio cheiro e do próprio gosto, sem esperança, sem amor, sem gosto por nada, a Colombina se preparava para a morte, doce e irresistivelmente certa, que descia pela garganta, dentro de cada pílula piedosa ingerida com água e açúcar.
Mal chegara a casa, após a noitada impiedosa, e jazia, nua, triste e fria. Levava para sempre consigo o amor miserável do Pierrot. E a lua, através da janela aberta, via aquela Colombina morrer, ansiando atormentada um último instante de misericórdia, em que surgisse pela porta um Arlequim que nunca havia de fato existido.


Escrito por Anaestrel às 15:11:54
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3o POST DESCARADO SOBRE AMOR

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Leminski

É, essas coisas do amor não têm jeito mesmo. Bem que a minha mãe sempre disse que "coração é Terra em que não se anda" (e sempre disse mesmo, obrigada Dona Sandra Estrela...). Até que no meu coração, vez ou outra, aparece algum poeta (ou um bêbado, ou um palhaço, ou um completo louco) perambulando... No mais, há somente bolhas de sabão, dessas que se espalham e explodem (Sr. Malabarista, aqui está você!). E basta um breve instante, daqueles de perda total de controle sobre qualquer coisa - geralmente causado por um sorriso ou um cheiro ou um som ou monociclos e palhaços- pra tudo virar de pernas pro ar!
Depois disso vem aqela fase em que a gente resolve ver como andam as coisas e se depara com a pilha de livros atrasados na biblioteca, a conta quilométrica pendurada na padaria, e a infinidade de cartas, prazos contados e perdidos, contas por pagar... Amar é não caber dentro de si mesmo?

"Dizer que brevemente serás metade de minha alma. A metade? Brevemente? Não: já agora és, não a metade, mas toda. Dou-te a alma inteira, deixas-me apenas uma pequena parte para que eu possa existir pôr algum tempo e adorar-te." (Viva Machado de Assis e meus dias de teatro!!!)

E quando de repente tudo acaba e volta ao normal? E quando tudo passa a fazer tanto sentido que a poesia perde a graça? Costuma doer mais em um do que em outro...



Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Camões


O que foi que me deixou assim? Não foi um homem (nem uma mulher). Foi a poesia. E as bolhas de sabão, os malabares, as músicas a SAUDADE DO MAR um carteiro e um Tango. Espero que tudo continue sem fazer sentido na minha vida.



Aqui eu te amo.

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Define-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

Neruda


...
E quando a gente pensa que aquela coisa toda morreu e olha com toda a coragem no fundo dos outros olhos e de repente tudo estremece e dá uma vontade imensa de explodir??? Uma vontade de pedir "por favor exista para sempre ou nunca tenha existido". Uma dor lá no fundo do coração só de pensar que uma hora o olho vai ter que piscar e interromper aquele instante tão gelado e tão quente ao mesmo tempo!! Um soluço que pára ainda na garganda, uma lágrima que faz arder o rosto todo. Um nó, um laço, um grito, um suspiro, um medo, um susto, um desassossego...



Escrito por Anaestrel às 23:05:41
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Quando é que a gente sabe se a gente é artista ou não?
Quando a gente tá perdido lascado desenganado?
Quando alguém elogia nosso trabalho?
Quando as coisas começam a ter vários sentidos diferentes ao mesmo tempo?
Quando as coisas deixam totalmente de fazer sentido?
Quando um entrevistador pergunta a nossa ocupação e a gente não sabe o que responder?
Quando a gente sente frio na barriga e nó na garganta ao mesmo tempo o tempo todo?
Quando a gente resolve que é e pronto?
Quando a gente sente que não é mais nada?
Quando a gente é sempre melhor ou pior que os outros?

Por favor alguém me responde! Tô falando sério!


Escrito por Anaestrel às 22:59:00
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Nocturne in Ebm

Hoje foi um dia cinza e frio.
Como se as cores saíssem de dentro de mim pra pintar o céu.
E todas as coisas, as horas, e as pessoas estavam lentas e tristes, como que à espera de algo que as acordasse.
Hoje tudo estava com sono e com medo.
Como tem estado com sono e com medo todos esses últimos anos, essas últimas décadas, esses últimos séculos.
Como se por dentro todos percebêssemos que não existe uma ordem superior, nem um sistema que nos controle como no admirável mundo novo.
Construímos um Big Brother pra justificar nossa sensação de impotência. Imaginamos um homem bom corrompido por um sistema criado há muito tempo e controlado por sabe-se lá quem, mas no fundo sabemos que nós é que somos porcos e egoístas, nós é que criamos nosso sistemazinho dia após dia, através de cada passo que damos, seja na postura de dominado ou de dominador.
E nós mantemos esse sistema em equilíbrio a cada ação civilizada que temos pra tentar acreditar que é isso o que nos oprime, sendo que na verdade nós é que estamos insatisfeitos com a nossa condição de simples criaturas, tão vulneráveis quanto todas as outras do planeta.

E preferimos pensar que fomos criados para dominar o universo, e gastamos nosso tão desenvolvido intelecto pra criar carros possantes, televisões que conseguem reproduzir a realidade da forma mais fiel possível, e tantas outras coisas que hoje são criadas apenas pra que a gente tenha o que fazer com o dinheiro que passamos a vida tentando juntar.
Enquanto isso morremos de medo de explorar o que há fora da Terra, do sistema, da galáxia, além do universo visível, porque não suportamos a idéia de sermos simplesmente pequenas criaturas iguais a tantas outras tão distantes de nós no espaço e no tempo, e tão queridas por deus quanto nós, tão imagem e semelhança do Divino, tão ligadas à origem do universo quanto pensamos que somos.
Morremos de medo de descobrir que nosso sistema tão opressor é na verdade inventado e mantido por cada um de nós, que nosso deus tão justo e protetor é na verdade criado dentro da nossa cabeça, e que o sentido da nossa vida talvez seja tão simples quanto o de um vaso de tulipas.
Morremos de medo de sermos os simples animais que na verdade somos.
Morremos de medo de descobrir que somos tão egoístas e tão cruéis e tão gananciosos e tão tristes e tão solitários e tão perdidos como somos.
E temos medo de dizer certas palavras que subvertam nossa ordenzinha medíocre e tão dependente dos bons modos...
E somos pequenos.
Somos sozinhos.
Somos vazios.
Somos medrosos.
Somos cinzas e tristes como o dia de hoje.
Elefantes na sala de estar não fazem diferença na nossa vida.
Nem atentados terroristas, desastres naturais, chacinas, massacres, guerras, poluição.
Nos abalamos superficialmente com a injustiça da realidade só pra enganar nosso instinto de sobrevivência, mas na verdade não estamos nem aí.
Somos infelizes e desesperados, e aceitamos certas ilusões simplesmente pra acreditar que somos felizes.
Nos acostumamos às coisas ruins e acreditamos em pequenas coisas boas que aparecem só pra termos a sensação dos altos e baixos da vida.
Mas as coisas ruins não tem volta, e em pouco tempo as boas já não fazem mais efeito.
Gostamos de nos sentir diferentes e odiamos a idéia de que quando morremos nos transformamos em simples matéria orgânica, e para que isso se torne um pouco mais suportável, inventamos que assim nos integraremos para sempre a tudo o que existe, nos tornando mais evoluídos e mais perto de deus e do eterno.
Mas tudo o que queremos é acreditar que essa eternidade dê algum sentido pras nossas vidas vazias.
Não temos controle sobre as coisas que criamos, e sentimos uma angústia imensurável por não entender e nem controlar nossas manifestações artísticas.
Talvez por isso mesmo sentimos que nossa arte seja tão especial e tão eterna e tão divina e tão poderosa.
Tudo o que queremos desde que nascemos é a liberdade.
Mas a cada dia nos prendemos mais e mais às ditaduras do sistema que nós mesmos impomos, a cada dia nos escravizamos em troca de poder, seja desenvolvimento intelectual, seja pedaços de papel colorido com número impresso, que pode ser facilmente convertido em batatas fritas, iates, companheiros fiéis, orgasmos, diplomas e, inevitavelmente, mais pedaços de papel colorido com números impressos.
Cultivamos nosso orgulho e o perdemos pela vaidade.
Acreditamos que nunca seríamos capazes de matar ninguém, punimos os assassinos como se fossem menos humanos que nós, justificamos nosso poder de decidir o certo e o errado, mas aos poucos vamos tentando diminuir o que as outras pessoas pensam que representam pra elas mesmas e pro mundo, pensando que assim nós mesmos vamos passar a representar mais pra elas.
Buscamos a justiça deixando que alguns poucos tenham o poder sobre o bom e o mal.
Nos oprimimos de propósito, aceitamos as ditaduras, entregamos nosso poder, abrimos mão do nosso discernimento, pra sofrer por ser menos, pra justificar nossas fraquezas, pra esconder... o nosso medo.
E vamos vivendo...
Através dos dias frios e cinzas...
Nos sentindo sozinhos...
Com medo da verdade...
Nos iludindo pra sermos felizes...
Buscando respostas com medo de encontrá-las...
Com medo de sermos simples... seres humanos.
Criando mais dias frios e cinzas...
Fugindo da liberdade...
Nos entregando aos vícios...
E à solidão...
E à opressão do sistema...
E ao medo...
E o pior de tudo... É que fazemos tudo isso de propósito.
Por medo de não saber o que mais fazer com as nossas vidas pequenas e insignificantes.



Escrito por Anaestrel às 10:22:25
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Amor, então, também acaba?

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

“Amar é não caber dentro de si mesmo”. Um amigo meu escreveu essa frase num texto e desde então ela não me sai da cabeça.
Será que ele tem razão? Há uma música que diz “Amar é ir-se destruindo pela vida afora. Vontade de ficar, mas tendo que ir embora”. Ficar. Ir embora. Tão contrário a si é mesmo Amor... Que não é eterno, mas é infinito, que dói mas não se sente...
Amor é uma palavra, um conceito, uma definição que a gente mesmo deu pra isso que a gente sente com relação a algumas pessoas durante a nossa vida, e que não entende como começa nem porque acaba. A gente imagina que seja um sentimento sublime, único, que nos completa e faz com que todo o resto do mundo pareça sem graça. Mas aí chega alguém muito entendido em assuntos amorísticos e nos diz que o que a gente sente não é amor. É paixão. É desejo. Ou qualquer coisa menos nobre, como se amar fosse divino e não humano. Mas todo mundo sabe dizer como funciona a vida dos outros, apesar de não saber como viver a sua própria, e não vale a pena se incomodar quando a sua vida não funciona do mesmo jeito que a vida das outras pessoas. Se não as coisas que estão dentro da gente correm o risco de parecerem menos importantes do que realmente são.
Todo mundo sabe quando ama alguém, mas nem todo mundo sabe ou aceita que esse amor acabe. E quando a gente vê que acabou dentro do outro antes de ter acabado dentro da gente, todas as coisas tomam um gosto amargo insuportável.
A gente de repente não se encontra, a gente perde nosso orgulho, perde a vaidade, telefona, pede que a pessoa volte, rasteja, chora, sofre, se destrói completamente, até mesmo porque a gente tem certeza de que se entregou pra pessoa até o último fio de cabelo e quer desesperadamente se ter de volta, pelo menos alguma parte suficiente pra suportar a devoção, a rejeição, a solidão...
E, quando a dor parece nunca mais parar, de repente, a gente se dá conta de que o amor passou. Ou nunca existiu. Ou então a gente descobre que toda aquela nossa entrega era na verdade para a idéia de amar, e não para a pessoa que a gente amava. Talvez a gente ame o próprio amor, não o objeto desse amor. Porque afinal, a nossa angústia e o vazio que a gente sente diante da realidade fazem a gente se prender às nossas pequenas certezas como se fossem as maiores verdades do universo.
Todo mundo quer amar. O que é bem melhor que ser amado. Se a gente é amado a gente ganha um tipo de responsabilidade sobre a pessoa que ama a gente. E de vez em quando pode ganhar algumas flores ou bombons... Mas quando a gente ama tudo muda. Parece que de repente surge um sentido pra nossa vida até então ordinária, e a gente investe todas as nossas forças nisso.
Mas talvez isso não seja real. Pelo menos não do jeito que a gente pensa que funciona. Desejar uma pessoa, buscar sempre sua presença, acreditar que ela vá afastar pra sempre a solidão da sua vida e querer que ela acabe com as suas inseguranças, pretendendo que se pertençam um ao outro é bem diferente do desprendimento material, da superação das necessidades físicas e da individualidade, da devoção desinteressada e da inocência que caracterizam isso que a gente chama de amor verdadeiro. Entre uma situação e outra, há várias possibilidades e combinações, como se houvesse vários graus de amor.
O ser humano quer possuir. A história da humanidade nos mostra que o desenvolvimento de todas as civilizações se deu com a busca pelo poder. Se não fosse os EUA hoje, se não tivesse sido a Inglaterra, se não tivesse sido o Império Romano, teriam sido os colonizados os dominadores. Os homens não sabem se relacionar sem essa divisão de poder, que obedece à lei do mais forte, ou do mais atraente, do mais auto confiante...
Será então que isso de amor verdadeiro não existe de verdade? Será que não passa de uma ilusão coletiva, que une duas pessoas com medo da solidão e de sua pequenez no universo, para que a vida pareça ter algum sentido?

Quando a gente toma consciência de certas coisas parece que o nosso conhecimento faz o coração doer mais.
Q nem qdo a gente descobre q não existe papai noel nem coelhinho da páscoa ou fadinha do dente e as nossas cartinhas parecem tão ingênuas, sem sentido e até mesmo patéticas. Do mesmo jeito quando um cristão questiona os dogmas da religião e vira ateu, nunca mais vai conseguir simplesmente aceitar nenhuma doutrina... Talvez sejamos mais felizes dentro da caverna, talvez a pílula vermelha não valha a pena.
O conhecimento tira a nossa inocência.
Eu por exemplo não sei se vou conseguir acreditar de novo que uma outra pessoa possa acabar com a solidão da outra. Todo mundo morre sozinho no final.
A gente pode se casar, viver abraçado e dormir de conchinha com alguém pro resto das nossas vidas. Mesmo assim. lá no fundo, mas lá no fundo mesmo, debaixo desses sentimentos que a gente chama de amor etc... Existe uma solidão eterna a q o ser humano está condenado. E ela é q nem um buraquinho negro q devora a gente por dentro, a medida q a gente sabe q ela existe.
Que saudades eu sinto de quando eu acreditava no amor verdadeiro e desinteressado, e que alguém poderia me amar sem desejar me dominar ou querer ser dominado... Espero muito que eu esteja errada, que eu tenha tomado uma red pill estragada, e que exista realmente um amor humano, do jeito que existe nos poemas e nas músicas..



Escrito por Anaestrel às 19:36:58
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Escutando Por una cabeza - Carlos Gardel

(Tango é a coisa mais maravilhosa que existe.)
Na verdade, é muito lindo observar a presença da música no tempo e no mundo... O que veio dos Celtas, o que veio dos Árabes, o que veio da África... É bonito ver elementos musicais nascerem num lugar, serem transformados em outro, renascerem e se chocarem diversas vezes, resultando essa riqueza que a gente vê hoje... A tal dança do universo, a harmonia celeste proposta pelos pensadores gregos, a explicação física e divina pra tudo o que existe... É bonito ver o Flamenco, o Fado, o Tango... O Jazz o Samba, o Choro, a Bossa... A Música tem um poder instantâneo de entrar na gente e mudar duma hora pra outra o jeito de a gente ver e sentir as coisas...
Música é uma maldição. Pior que mulher, pior que ciência, pior que religião, pior que saudade...
Música corrompe, música fascina, música entorpece... Música não é só uma coisa linda... A Música evolui com o homem, a música pode representar uma geração, um sonho, um povo... Música tem um poder transformado incomensurável... Que deixa a gente angustiado com a nossa insignificância diante da nossa própria criação.
Música domina a nossa vida, música é como a amante que a gente não consegue largar nunca, sem conseguir saber por que. Se é por causa do perfume, do jeito de sorrir... A gente não sabe o que é, mas precisa dela pra viver. Uma vez tendo aberto o coração, a gente já se encontra irremediavelmente preso pra sempre. Como a rosa do pequeno príncipe...
O contato direto com a música, com a harmonia, com o ritmo e com a intuição musical é como respirar junto com quem a gente ama pela última vez antes q ela se vá. Ou antes que o dia amanheça. Ou antes que a gente deixe de amá-la.
Ser músico é se deixar perder dentro de si mesmo. É esquecer o universo inteiro em algum lugar dentro da gente. É se condenar a uma busca eterna. É se amaldiçoar tentando encontrar uma justificativa pra toda essa vida e beleza que existem no nosso coração. É dar sentido a todas essas revoluções que a gente nunca sabe se estão lá fora ou dentro da gente mesmo... Ser músico - quem sabe – é se entregar totalmente a um plano que ninguém ainda conseguiu compreender direito, mas que atordoa a todos nós desde quando o primeiro homem criou a primeira melodia e primeiro ritmo e percebeu o poder incontrolável de transformação que aquilo tinha sobre ele e sobre todos os que o cercavam.




Escrito por Anaestrel às 21:22:09
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Em quem você pensa?


Não adianta ter visto o papa... Não adianta ganhar herança, não adianta aparecer na televisão. Não adianta comer 10 fatias de pizza num rodízio pra fazer a vida ter valido mais a pena. Todo mundo vai morrer. A Angelina Jolie, o Bush, o Ronaldinho, a Sandy...Todo mundo sabe disso. E todo mundo morre de medo de esse dia chegar. Às vezes eu acho que a gente só vive pra tentar ficar vivo. Como se fosse uma maratona - será que alguém um dia vai conseguir escapar?
Eu me lembro de algumas pessoas que faziam parte da minha vida e que nunca mais eu vou ver. Não só as pessoas que eu amava e se foram, mas tb aquelas de quem eu nunca tive foto ou endereço, e que mesmo assim fizeram parte da minha vida, num ou noutro momento.
Não é estranho pensar que quando alguém morre nunca mais ninguém vai escutar a voz, nem sentir o cheiro, nem ver o sorriso? E mesmo que não existisse som, odor e imagem, ainda assim, cada um tem uma presença insubstituível, um comprimento de onda que se extingue quando a pessoa deixa de existir.
Talvez uma música do Piazzolla, uma poesia do Drummond, um quadro do Van Gogh possam ser algum consolo para a não existência deles... Qual é o valor do corpo mumificado de Lênin para a História? Não há vida nenhuma ali, não é nem um pouco diferente das cinzas esquecidas no Ganges ou os restos mortais nas catacumbas em Roma... No fim, todos nos convertemos na mesma matéria orgânica que vai continuar compondo o universo até o final dos tempos. Nosso corpo não é nada além de um refúgio contra a morte, que até onde eu sei, é inevitável.
Às vezes me pego pensando que talvez eu nunca morra, talvez eu viva o suficiente pra perceber qual afinal é valor de tanta veia, tanto sangue, tanto hormônio, tanto osso, tanta carne... Quem sabe?
Olho a foto da menina de olhar lindo na Internet, não sei se ela ainda está respirando em algum lugar do planeta, me lembro de que “em pouco tempo não serei mais o que sou” e tenho mais medo ainda da morte. E imagino uma forma de torná-la menos dolorosa. E menos solitária.
Tento aprimorar a minha contribuição cultural pra humanidade, na tentativa de eternizar alguma coisa de mim, pra que haja mais de mim no universo que as simples moléculas que compõem tanta beleza, tanta feiúra, tanto defeito bobo e idiota de quando eu me olho no espelho. No final de tudo, as estrias e as celulites vão ter o mesmo valor que os mamilos rosados. O que a pessoa que está morrendo não daria por alguns minutos a mais no corpo que o suicida rejeita... (O que a avó do meu amigo, que ficou cega um mês antes de morrer de velhice, não daria pela chance de contemplar por um segundo a cor que o céu estava na quinta-feira passada, que eu mostrei pro Pedro, e acho que ele nem deu a mínima?).
O que eu não daria pra olhar de novo naqueles olhos com vida, nem que fosse só por um instante? O que eu não dou pra lembrar daquele cheiro que eu já senti até em sonho, mas que agora não consigo mais imaginar, por mais que me concentre? Nem sei o que eu não daria por um abraço, sei lá, um aperto de mão, um toque qualquer... Em alguns momentos de fraqueza a gente é capaz de tudo pra escutar só mais uma vezinha a risada da pessoa, mas percebe depois que nem todo o dinheiro do mundo compraria de volta um momento como esse que vai morrer junto com a nossa lembrança, quando chegar a hora...
Por que a ausência faz doer tanto o coração?
Me assusta quando eu converso com alguém, alguma pessoa qualquer no ponto de ônibus ou na fila do bandejão, e de repente a pessoa, sem querer e sem saber, diz alguma coisa com um timbre na voz, ou lança um olhar, ou confessa um segredinho íntimo qualquer (desses prazeres bobos que todos nós temos), que me remete por um segundo a alguém que hoje me faz falta, que me prende sem saber por que, que se encaixa em algum buraquinho qualquer dentro do meu coração, que me faz me sentir um pouquinho menos perdida e menos só e me ajuda a me acostumar com esse mundo do qual a cada dia mais pessoas que eu amo ou que significam algo pra mim se despedem...
Talvez pra sempre mesmo...



Escrito por Anaestrel às 17:07:01
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Saudades

http://bequadro.blogspot.com/

Saudades

Poema do Arley Bequadro http://bequadro.blogspot.com/

saudades é nome.
Devemos escrever Saudades.
Saudades anda em grupo
acompanhando a solidão
alguns dizem que ataca
outros dizem que preenche
Saudades é nobre
faz a gente se curvar
Saudades é dor
e não há remédio
Saudades é mais que amor
cuidado!

Escrito por Anaestrel às 13:36:14
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Um lindo azul...


Escrito pelo Ernando.
Que já se mostrou um cara muito especial

"Eu imaginava que iria me perguntar qualquer coisa...
Qual é o numero do seu sapato?
Quantos anos você tem?
Você ama alguém?
Você gostaria de morrer agora?
Você já vôou?
Queria fugir daqui?
Você gosta de qual música?
Qual é sua cor preferida?
O que você esta pensando agora?
Você gosta de desenhar ou escrever?
Mas não...
Ela me perguntou quanto custou a minha calça..."

Tb dedico ao Felipe Simpa...
E pro Régis
E pro Beterraba
E pro Werner
Q ama Los Hermanos...
Nesse dia em q eu descobri tanta poesia...

Escrito por Anaestrel às 23:43:30
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Eu não queria colocar coisas pessoais nesse blogue, mas encontrei esse post no antigo fofotlogue a acho q ele ainda vale... http://fotolog.terra.com.br/anaestrel:8 17/02/2005 14:12



O tempo passou por mim deixando pra trás as coisas mais belas e loucas e últimas q me restam...
Eu aqui lendo essa breve história do tempo imagino se o Hawking também sentiu essas coisas todas tão humanas que a gente sente quando pensa q o tempo e tudo no mundo é relativo e que a gente é muito pequeno no meio disso tudo...
Eu que mudei tanto em tão pouco tempo, e pensava q tinha mudado muito nos últimos anos descobri q no fundo algumas coisas vão permanecer sempre iguais...
Na verdade acho q certos detalhes q eu julgava ultrapassados em mim estamavam só adormecidos esperando q eu os redescobrisse...

Eu continuo a mesma pessoa, apesar de tudo...

Eu ainda sorrio sozinha quando penso nos sonhos q só eu sei q tenho e q vou esperar q se realizem até o fim da minha vida...

Ainda fico o dia inteiro triste quando lembro de alguma coisa antigamente bela e que agora ficou boba, mesmo q ela sempre tenha sido boba na verdade e bela só pra mim...

Eu ainda choro quando estou sozinha, e às vezes ainda me perco em curvas ou marcas do meu rosto pensando em vidas q não vivi e talvez só eu possa imaginar...

Eu ainda tenho aqueles momentos de loucura só pra descobrir se a vida ainda está escondendo alguma coisa...

Eu ainda acredito q eu possa mudar o mundo, mesmo tendo escutado milhões de vezes q isso ia ser impossível. Na verdade eu já descobri como eternizar o q eu quero com as minhas palavras...

Eu ainda não acho pecado amar a arte acima de todas as coisas...

E ainda acho o amor muito mais humano do que divino...

E a quem possa interessar: Eu ainda faço desenhos no final dos cadernos. Ainda faço espirais e outras coisas com lápis de cor em papéis q encontro perdidos na minha escrivaninha ou pela casa. Eu ainda faço fotossíntese no sol de manhãzinha (qdo dá tempo), como fazia com minhas amigas do colégio há alguns anos... Ainda amo brigadeiro. Ainda conto calorias. Ainda sonho acordada na frente dos professores. Ainda quero ser astronauta e bailarina. Ainda começo a escrever romances sem terminá-los. Ainda acho maldade cortar uma foto. Ainda durmo encolhida. Ainda fico descalça no carro. Ainda faço cara feia pra quem joga lixo no chão. Ainda uso meias de bichinhos. Ainda acho q sou um peixe q ganhou pernas. Ainda amo o mar...


Escrito por Anaestrel às 17:05:25
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Oda

Coisas especiais são difíceis de perceber.

Essa é uma cena do filme casa vazia.

As personagens não trocam uma palavra o filme todo e a gente nem se dá conta de q falta nada...



Queria atingir esse estágio só pra ver como seria não precisar das palavras.

Escrito por Anaestrel às 08:50:41
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É muito fácil se deixar usar... É muito fácil se entregar à frieza do mundo. É muito fácil ser treinado pra não sentir nada. É muito fácil perder a ternura. É muito fácil se iludir com uma falsa liberdade e se prender cada vez mais e mais justamente à solidão e à superficialidade. Seria bom se tudo pudesse simplesmente virar bolha de sabão... A gente entrega o corpo e quase toda a mente e se refugia em algum lugar menos frio e menos escuro pra superar a dor.
Não sei mais onde foi que eu esqueci o meu coração. Tomara que quem achar me devolva logo, antes que eu bloqueie o chip e não deixe mais ninguém acessar.
Eu queria que ninguém tivesse medo de viver, de sentir, de se entregar. Ninguém devia ter medo de ficar horas olhando dentro dos olhos de outra pessoa, ninguém devia ter medo de se perder no meio de um olhar ou um beijo.
Pra vida ser linda e valer a pena... A gente precisa de sentar de quando em quando à beira do poço que existe na nossa mente e pescar de lá os sentimentos que nos fizeram sorrir.
Pra que fazer coisas que magoam quem a gente ama ou quem ama a gente só pra provar o que quer que seja, ou só pra testar o outro? Eu queria pedir desculpas por todas as vezes que fiz isso. Sei que ainda faço, e logo depois já me arrependo. E da mesma forma se que fazem isso comigo o tempo todo todo todo, da mesma forma. Por isso, além de pedir desculpas eu tb queria dizer que me dói muito ver qualquer coisa morrer dentro da gente só por causa do orgulho ou da ilusão do poder, ou sejá lá o que for... E queria tb juntar coragem pra não deixar as pessoas me magoarem desse jeito. Quero ter mais coragem pra pedir "por favor, não faça assim...". Quero ter audácia de ser feliz.


"Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa" Chico Buarque

Escrito por Anaestrel às 23:21:40
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Glory Box. Portishead. Narguilé de maçã.


A gente inventou um monte de conceito pra tentar se encontrar nessa coisa imensa q é o tudo.
Uma dessas coisas, p. ex., é o conceito de individualidade. O tal do EU.
Isso não passa de uma invenção nossa pra aceitar melhor essa sensação esmagadora diante da existência, tanto q nem todas as pessoas se baseiam nesse conceito pra sobreviver. Alguns povos orientais, p. ex., não tem esse conceito. Nem todo ser humano precisa definir o que é o EU. (Nem o MEU)
Outra dessas coisas é o tempo. Pra organizar nosso entendimento do mundo a gente precisou inventar o antes, o agora e o depois.
Afinal, tudo isso tem que ter vindo de algum lugar, CERTO?
E se a gente tentasse abstrair um pouquinho mais e tentasse conceber a idéia do tudo? Aquele tal de ÔM... ÔM é só uma palavrinha em Sânscrito. Usada pra denominar o TUDO. O tudo é aquilo que veio primeiro. O tudo é o que abrange o Tudo, o nada, o antes, o agora, o depois... A mosca da sopa, o dente do tubarão, os olhos do cego... E por aí vai.
Uma teoria legal sobre o início do “mundo” é a Teoria do Big bang. Toda a matéria que existe hj no universo concentrada em um único ponto. Um ponto que define infinitas retas. E depois que esse ponto infinitamente pequeno chegou ao fim da sua infinita pequenez, não agüentou mais e explodiu. Aí tudo se dividiu em partículas que se expandiram numa velocidade impressionante. E essas partículas estão se expandindo até hj. O mais engraçado (na verdade, eu diria “ o mais bonito”) é que essas partículas, ao mesmo tempo que se expandem e se afastam, se atraem por uma força inexplicável, q a gente chamou de gravidade.
Dizem que o que faz esse movimento de expansão continuar existindo é uma outra força chamada inércia. Inércia é a tendência de uma coisa que está em movimento continuar em movimento.
Alguns físicos observaram que a cada unidade de TEMPO que PASSA, essa velocidade de expansão aumenta. (Mais movimento dividido pelo tal do TEMPO). E alguns acham que, qdo a gravidade for maior que a força centrípeta que afasta os corpos celestes, a atração vai ser maior que a expansão. Então o TUDO, que antes existia num ESPAÇO infinitamente pequeno e que depois começou a expandir, teoricamente vai começar a se retrair. E com a atração maior que a repulsão, quem sabe um dia o TUDO volte ao seu lugar de origem... E quem sabe então, quando não houver mais como essas partículas infinitamente pequenas do TUDO se atraírem, elas sejam repelidas novamente? Sabe lá qtas vezes esse tudo não passou por essa brincadeira de expansão, retração, expansão, retração...
Isso me faz pensar num outro conceito. O do SAMSARA. A concepção de que o TUDO sempre obedece um ciclo. Coisas que sempre se repetem. O ETERNO RETORNO, do querido Nietzsche. Estamos condenados a essas leis? Então como é que a gente conquista nossa liberdade de fato?
Pensemos ainda no seguinte. Se o TUDO já tiver estado, em algum momento do PASSADO (Se essa coisa de ciclo, de eterno retorno, for mesmo VERDADE, Então esse momento de concentração do TODO num único ponto aconteceu e acontece no passado, no presente e no futuro, existindo infinitamente) concentrado em um só ESPAÇO, cada partícula infinitamente pequena desse todo que se expandiu e até hj se expande, se combina, se altera... Cada uma contém o TUDO em si, o DNA...
E esse TUDO é bem grande. Se a gente for pensar em apenas 3 dimensões desse tudo (as 3 primeiras, que definem o espaço), ainda assim o tudo é incomensuravelmente grande. Por exemplo: a luz percorre 300.000 Km/s2. São 18.000.000 Km em um minuto. A imagem de Plutão demora 5h pra chegar até os olhos de um astrônomo na Terra. 5 horas são 5.400.000.000 Km. A nossa pequenina galáxia tem 90.000 anos luz de largura, 839.808.000.000.000.000 Km. Sim, ela compreende uma pequena parte do universo. Calcula-se que existam cerca de 100.000.000.000 de Galáxias no universo. Da mesma forma, no séc. XVIII, muitos brancos achavam que negros não tinham alma. (Qtas formas há de se montar um LEGO?) Começamos a estudar nossa história de 2.000 anos pra cá. E, no entanto, qdo olhamos Andrômeda no céu, p. ex., estamos vendo uma nebulosa como existia há 2.000.000 de anos atrás. Somem-se a essas 3 dimensões mais a dimensão do tal do Tempo. E qtas outras dimensões existirem, independente de serem compreendidas ou não.
É, o ÔM (essa palavrinha tão pequenininha) é bem grande.
Em pensar que a gente é feito de tecidos feito de milhões de células, feitas de milhões de átomos, feitos de sabe-se lá qtas partículas qtas vezes menores.
E todas essas partículas já podem ter existido, em algum lugar do TEMPO, num único lugar! Se tudo tem a mesma origem, somos todos compostos pelas mesmas pecinhas de LEGO. A mesma matéria.
É como se o ÔM existisse em cada uma dessas pecinhas. Como se tudo já tivesse acontecido, como se tudo já tivesse um determinado registro. Como se fosse preciso apenas um código pra acessar esses dados infinitos. Como se dentro de cada um de nós houvesse uma memória ilimitada e uma consciência coletiva.
Morre uma pessoa? Acaba a vida. Acaba o EU. Mas as pecinhas de LEGO usadas na sua composição, essas permanecem no tudo. E qdo o Chico Xavier escreve uma carta com a letra dessa pessoa morta, expondo certos detalhes que só ela sabia, particulares e específicos desse EU que já não EXISTE mais, quem sabe ele não está simplesmente acessando uma parte desses dados que foram registrados no HD do Tudo? Talvez seja esse o atributo do médium: Acessar uma parte da informação. Que já está dentro dele. Que sempre esteve. Dentro de cada partícula. Talvez por ter sempre existido. Algumas pessoas simplesmente desenvolvem canais pra acessar parte desses dados universais. Buscar o Samadhi ou o Nirvana é buscar decodificar todos os dados.
E a gente sente isso. A nossa grande angústia da existência (à qual ninguém escapa) talvez seja justamente por sentir que existe uma coisa incompreensivelmente grande dentro de cada um de nós e que a gente não consegue atingir um grau de abstração suficiente pra enxergar. Dói sentir que a Verdade já está dentro de cada um de nós.
E pq a gente inventa Entes superiores, que dominem essa Verdade? Pq somos fracos. É muito mais fácil conviver com a certeza de que esse conhecimento não pertence a nós e que somos todos criações de algum ser onipresente, onisciente e onipotente. É MUITO MAIS CONFORTÁVEL PENSAR QUE ALGUÉM SABE O QUE ESTÁ FAZENDO E TEM TUDO SOB CONTROLE. Poucos conseguem conviver com a angústia de não acreditar nessas histórias (que foram inventadas há muito menos do que 20.000.000 de anos).
Qdo uma Borboleta bate as asas num determinado LUGAR, pode desencadear um tufão em outro lugar?
Pq qdo Arthur Dent pronunciou uma simples frase a respeito de sua vida num planeta chamado Magrathea, desencadeou uma guerra que devastou, em um ponto bem distante do universo, uma galáxia inteira? E então? Quem é que é Onipotente, onipresente e onisciente? Nós somos onipotentes e onipresentes. E TEMOS MEDO DE SER ONISCIENTES.
Pq usamos apenas 10% da nossa cabeça animal???
Apesar de existir tanta gente que simplesmente aceita que nunca vai alcançar essa verdade, esses dados, esse tudo exterior, existe gente que sente, mesmo sem saber por que, que A VERDADE ESTÁ AQUI DENTRO. Tem gente que não pára de pensar pra tentar conceber esse TUDO. E pq tem gente que tenta parar de pensar pra atingir o Nirvana? O Samadhi? Qual será o caminho pra se conectar com o TUDO? O caminho do meio? Como alcançar esse nível de abstração, como alcançar esse grau de auto conhecimento, de percepção, de consciência? Como se libertar desse ciclo e compreender o TODO? Como sair da CAVERNA???
Quais outros conceitos a gente já inventou? Deus? Acho que o TEMPO foi uma invenção muito mais difícil de superar do que DEUS... Questionar a existência de um velhinho de barbas brancas sentado lá no céu (Afinal de contas, ALGUÉM tem q ter criado isso tudo, ALGUÉM tem q estar pilotando a nave) é muito fácil...


Escrito por Anaestrel às 23:29:14
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Esquentando...



Pq qdo o Andersen pergunta se eu entendi eu às vezes respondo que eu acreditei?

Pq todo mundo ri?

"Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existem muito mais crentes do que pensadores." Bruce Calvert

Harmonia é o tipo da coisa em que se pode acreditar. Ou pensar. Assim como muitas outras coisa na música. E na ciência. E na natureza. E por aí vai...




Escrito por Anaestrel às 01:28:53
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Eu tive infância... Acho que nem eu sabia disso!

Hoje vejo que tudo começou com uma boneca que saída da caixinha no meio da noite atrás de um doce... Ela morava numa loja de brinquedos, onde havia um soldado com uma espada muito grande.

Depois me lembro de ter visto um menino pintando uma cerca de branco. Ele fazia de conta q estava se divertindo à beça com aquela tarefa tão chata, para que as outras crianças q passassem se interessassem e quisessem completar o serviço no lugar dele. Sei que um tempo depois esse mesmo menino viajou num balão... E viveu ainda algumas outras aventuras com seu amigo pobretão Huck Finn... Que por sua vez também saiu aprontando das suas, na região do Mississipi.
Os dois nem devem saber disso, mas fazem parte da minha vida desde quando os conheci...

Certa vez estive numa ilha onde havia um tesouro. Não, não... Já estive em diversas ilhas com tesouros. E vi piratas que recendiam a Rum e cantavam canções de lugares que eu nem sabia ainda que existiam. Já conheci muitos e muitos velhos lobos do mar... Já vi batalhas e batalhas afundando navios. Já vi marujos enlouquecendo por razões que eu ainda não poderia compreender...
Já estive numa ilha perdida... Numa montanha mágica... Num planeta onde todos eram bichos... Num jardim trancado ha muitos anos por um homem que não sabia sorrir.

Fiquei amiga de uma boneca de pano que falava pelos cotovelos, conheci um menino que caçava onças, vi lambaris do Reino das Águas Claras, usei muito pó de pirlimpimpim...

Eu vi um menino no espelho. Vi um fantasma dançando no escuro, vi um gênio do crime, passei noites desvendando casos de suspense no Egito ou na Mesopotâmia.

Já morri de medo de escuro, medo de fantasma, medo de Homem do Saco, medo de Mula-sem-cabeça...

E não posso nunca me esquecer do principezinho de outro planeta, que veio aqui me mostrar algumas coisinhas da vida e depois virou estrela...

Eu sei o Segredo de Taquara-poca.
Fui capturada por canibais africanos.
Conversei com os espíritos dos natais passados.
Vi um rei transformando tudo o q tocava em ouro. Conheço um Titã q até hj está aprisionado no Cáucaso, conheci deuses poderosos, conheci um homem com cabeça de Touro, vi cavalos alados, vi uma ninfa aprisionada num tronco dum pinheiro...

Me lembro que certa vez conheci um menino meio cego, que só descobriu seu problema de visão quando conseguiu emprestados os óculos de um médico que visitava a região... Conheci muita gente a se acabar no sertão. Vi uma família de seis pessoas se deteriorar... Me emocionei com uma garotinha loura suíssa que amava o seu avô e os seus carneirinhos...

Acho que vivi um pouco da infância de muitas, mas muuuuitas outras pessoas que já tinham sido crianças antes de mim e resolveram contar suas histórias nos livros. E por isso acabei tendo amigos q perambulavam pela roça, amigos que iam pra igreja mas faziam pecado depois, amigos que fugiam de casa e depois voltavam... Amigos que nadavam pelados no rio, amigos que matavam passarinho com bodoque, amigos que pegavam bicho de pé, amigos que apanhavam muito do pai e depois voltavam a fazer molecagem.

Uma vez vi um menino ser atropelado por um trem. Aquela imagem não me sai da cabeça até hoje.

Na curta história da minha infância tem matuto, tem mendigo, tem ladrão, tem bailarina, tem coronel, tem astronauta, tem mãe com muitos filhos pequenos, tem mágico com assistente de maiô prateado, tem criança que virou anjo (porque afinal, deus sempre leva os bons meninos pro céu logo)...

E foi vivendo todas essas coisas lindas que eu gastei as cerca de 87.600 primeiras horas da minha vida. E aos poucos fui criando os macaquinhos que tenho hoje -com muito orgulho- no sótão.

Agora, depois disso tudo, posso dizer que já tenho pernas enormes (que dão pra abraçar o mundo). E fogo no rabo. E vento nos pés...

E não há quem possa dizer que eu não tenha tido infância de verdade. Pq, se uma parte de mim sempre estava num canto qualquer enfiada num livro... A outra parte sempre voou livre, livre... E sabe-se lá por onde andou...

À todas as pessoas que se preocupavam tanto com meu comportamento, com o fato de eu estar sempre no mundo da lua, com a minha desintonia, com o meu olhar sempre ausente:
Ainda bem que não me deixei sufocar com análise e racionalidade cristã-adulta naquela época... Porque por mais que eu tivesse sonhos assustadores e parecesse estar sempre sozinha... A minha alma perambulava sempre por lugares lindos e inesquecíveis!



Escrito por Anaestrel às 18:41:27
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Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


Carlos Drummond de Andrade



Escrito por Anaestrel às 18:39:25
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Só mais uma do Hopper.

Ao som de April in Paris, com Billie Holiday...



Escrito por Anaestrel às 11:06:16
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Entre as coisas mas lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

(À Didi, sem orgulho, sem mágoa...)



Edward Hopper foi um dos maiores pintores realistas do Século XX. Pra mim, acho que o mais lindo, por enquanto.

Como ele expressa tão bem a tensão, a solidão, a angústia?
Queria escutar uma música assim agora...

Mais um: O primeiro que eu vi da obra dele na minha vida:

Quarto de Hotel.
No Museo Del Prado.



Ah...

Simplesmente sem som.
Absolutamente silencioso.

Escrito por Anaestrel às 22:58:58
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Chove
(ou será alguém aguando o mundo?)
Chove
(Ou será alguém que chora junto?)
Chove
(Ou será alguém com seu descuido?)
Chove
(Ou será alguém cospindo tudo?)
Chove
(Ou será alguém chovendo junto?)

Bruno Brum


Escrito por Anaestrel às 16:52:20
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Não tinha mostrado ainda o Marrocos que vi...





Escrito por Anaestrel às 10:36:45
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Caminhozinho por onde eu ia andando
E de repente te sumiste
- o que seria que te aconteceu?
Eu sei... o tempo ... as ervas más... a vida...
Não, não foi a morte que acabou contigo:
Foi a vida.
Ah, nunca a vida fez uma história mais triste
Que a de um caminho que se perdeu...

Mário Quintana (1985)


Escrito por Anaestrel às 20:46:06
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Me lembro das coisas q escutei na escola...
Juvenil começou a ser uma palavra bonita, muito bonita. Bem, pelo menos pra mim. E pelo menos agora.
Eu q sou as bolhas de sabão? Vai ver o mundo é q é uma enxurrada de bolhas de sabão, né Lu? Não, não... O mundo é o vento. Que venta no mar... E q estoura as bolhas de sabão... Uma a uma. Mesmo as mais inusitadas... E, sabe o q mais? O Mundo venta na Pipa também... Até ela sumir de vista, até ser somente um pontinho no céu...
Sorte de quem encontra a Pipa depois do Temporal...
E, MEU DEUS!!! MAS QUE TEMPORAL!!! Sorte de quem deixou a janela aberta, pq escutou o solo de saxofone durante a ventania. Embora os olhos de quem estivesse tocando ainda não tivessem visto o mar...

Engraçado como, em questão de segundos, pessoas até então totalmente insignificantes na nossa vida acabam transformando tudo...
Engraçado se apaixonar assim...
É... Uma vez eu conversei sobre isso com uma pessoa especial...
Me apaixonar num segundo. Fazer tudo valer a pena... Todo amor q houver nessa vida...
E de repente perder o foco... Focalizar em outro amor inventado...
Já estou me reeducando...
Estou me centrando...
Focalizando tudo...

Mas, quer saber?

O Vento, o mar...
A Pipa...
As bolhas...

Ah, tudo é tão lindo...

POR QUE É QUE TUDO TEM Q SER TÃO LINDO???????

POR QUE????





Escrito por Anaestrel às 22:51:54
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Por uma vida menos ordinária...


Eu penso agora em todos os lugares lindíssimos q já vi. E me lembro que, enquanto olhava pra eles, sentia que bastava aquele instante pleno de beleza pra q o mundo, ou a própria vida já valessem a pena. E, como diria carlos Drummond, a poesia daquele momento inundava a minha vida inteira...
É assim também com as pessoas. Quando sentimos vontade de tratar alguém de uma maneira diferente, mais íntima, ou qdo temos o impulso de manifestar algum sentimento de desejo, ainda que este desejo seja seja simplesmente o de se estar perto, de se tocar de uma maneira especial, de se agradar, muitas vezes a gente reprime essa atitude- quem sabe um sorriso simpático, ou um olhar d afeto. A gente reprime o q talvez seja o mais belo do comportamento humano. Corta já na raiz aquilo q poderia vir a se tornar um daqueles momentos únicos de beleza, q poderia fazer a vida inteira valer a pena.
Isso tudo pq, antes q aconteça o tal sorriso, o tal abraço, beijo ou afago, já pensamos em todas as coisas negativas q já surgiram antes d outras manifestações d afeto frustradas.
Em vez d se pensar no gesto, na palavra, na carícia, pensa-se no inconveniente de se envolver emocionalmente e sofrer depois.Ou então na suposta obrigação futura de se prestar satisfações das próprias atitudes e sentimentos seja ao outro, a si mesmo ou à sociedade.
Mas pq isso acontece, se a vida é tão curta pra se pensar tanto assim no q deu errado, ou no q ainda não deu certo? Pq é q a gente não se dá conta do quão preciosos são esses pequenos instantes da nossa vida e pára de se preocupar com aquilo q na realidade não tem nenhum valor?
Pq se preocupar tanto com esse negócio de sociedade e com a maneira como ela vai receber a cada um de nós como é, se, no final, a tal "sociedade" não nos dá absolutamente nada em troca de sermos como "ela" exige q sejamos? (ou será q quem exige é a gente mesmo???)
Pq não aproveitar o pouco tempo q nos resta para amarmos mais, ou para demonstrarmos mais nosso amor pelos outros, pela vida e por nós mesmos?
Pq não beijar, abraçar, sorrir, amar, se declarar, se entregar, se jogar, arriscando tudo isso q pensamos ser importante, mas q na verdade nem é, e a o mesmo tempo ganhando mais e mais pequenos instantes repletos de beleza q fazem -estes sim- com q a nossa vida realmente valha a pena???




Escrito por Anaestrel às 20:44:55
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