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Por uma vida menos ordinária...


Em quem você pensa?


Não adianta ter visto o papa... Não adianta ganhar herança, não adianta aparecer na televisão. Não adianta comer 10 fatias de pizza num rodízio pra fazer a vida ter valido mais a pena. Todo mundo vai morrer. A Angelina Jolie, o Bush, o Ronaldinho, a Sandy...Todo mundo sabe disso. E todo mundo morre de medo de esse dia chegar. Às vezes eu acho que a gente só vive pra tentar ficar vivo. Como se fosse uma maratona - será que alguém um dia vai conseguir escapar?
Eu me lembro de algumas pessoas que faziam parte da minha vida e que nunca mais eu vou ver. Não só as pessoas que eu amava e se foram, mas tb aquelas de quem eu nunca tive foto ou endereço, e que mesmo assim fizeram parte da minha vida, num ou noutro momento.
Não é estranho pensar que quando alguém morre nunca mais ninguém vai escutar a voz, nem sentir o cheiro, nem ver o sorriso? E mesmo que não existisse som, odor e imagem, ainda assim, cada um tem uma presença insubstituível, um comprimento de onda que se extingue quando a pessoa deixa de existir.
Talvez uma música do Piazzolla, uma poesia do Drummond, um quadro do Van Gogh possam ser algum consolo para a não existência deles... Qual é o valor do corpo mumificado de Lênin para a História? Não há vida nenhuma ali, não é nem um pouco diferente das cinzas esquecidas no Ganges ou os restos mortais nas catacumbas em Roma... No fim, todos nos convertemos na mesma matéria orgânica que vai continuar compondo o universo até o final dos tempos. Nosso corpo não é nada além de um refúgio contra a morte, que até onde eu sei, é inevitável.
Às vezes me pego pensando que talvez eu nunca morra, talvez eu viva o suficiente pra perceber qual afinal é valor de tanta veia, tanto sangue, tanto hormônio, tanto osso, tanta carne... Quem sabe?
Olho a foto da menina de olhar lindo na Internet, não sei se ela ainda está respirando em algum lugar do planeta, me lembro de que “em pouco tempo não serei mais o que sou” e tenho mais medo ainda da morte. E imagino uma forma de torná-la menos dolorosa. E menos solitária.
Tento aprimorar a minha contribuição cultural pra humanidade, na tentativa de eternizar alguma coisa de mim, pra que haja mais de mim no universo que as simples moléculas que compõem tanta beleza, tanta feiúra, tanto defeito bobo e idiota de quando eu me olho no espelho. No final de tudo, as estrias e as celulites vão ter o mesmo valor que os mamilos rosados. O que a pessoa que está morrendo não daria por alguns minutos a mais no corpo que o suicida rejeita... (O que a avó do meu amigo, que ficou cega um mês antes de morrer de velhice, não daria pela chance de contemplar por um segundo a cor que o céu estava na quinta-feira passada, que eu mostrei pro Pedro, e acho que ele nem deu a mínima?).
O que eu não daria pra olhar de novo naqueles olhos com vida, nem que fosse só por um instante? O que eu não dou pra lembrar daquele cheiro que eu já senti até em sonho, mas que agora não consigo mais imaginar, por mais que me concentre? Nem sei o que eu não daria por um abraço, sei lá, um aperto de mão, um toque qualquer... Em alguns momentos de fraqueza a gente é capaz de tudo pra escutar só mais uma vezinha a risada da pessoa, mas percebe depois que nem todo o dinheiro do mundo compraria de volta um momento como esse que vai morrer junto com a nossa lembrança, quando chegar a hora...
Por que a ausência faz doer tanto o coração?
Me assusta quando eu converso com alguém, alguma pessoa qualquer no ponto de ônibus ou na fila do bandejão, e de repente a pessoa, sem querer e sem saber, diz alguma coisa com um timbre na voz, ou lança um olhar, ou confessa um segredinho íntimo qualquer (desses prazeres bobos que todos nós temos), que me remete por um segundo a alguém que hoje me faz falta, que me prende sem saber por que, que se encaixa em algum buraquinho qualquer dentro do meu coração, que me faz me sentir um pouquinho menos perdida e menos só e me ajuda a me acostumar com esse mundo do qual a cada dia mais pessoas que eu amo ou que significam algo pra mim se despedem...
Talvez pra sempre mesmo...



Escrito por Anaestrel às 17:07:01
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