Meu Perfil
BRASIL, Mulher, French, Italian, Livros, Arte e cultura, Swásthya Yôga



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 ANAS ESTRELAS
 TARJA PRETA
 Meu fotologue
 JAZZ
 Swásthya Yôga
 Hayao Myiazaki
 Jazz pour tous
 Pq sou vegetariana?
 DINHEIRO FACIL?
 LE SIDA et les jeunes


 
Por uma vida menos ordinária...


Amor, então, também acaba?

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

“Amar é não caber dentro de si mesmo”. Um amigo meu escreveu essa frase num texto e desde então ela não me sai da cabeça.
Será que ele tem razão? Há uma música que diz “Amar é ir-se destruindo pela vida afora. Vontade de ficar, mas tendo que ir embora”. Ficar. Ir embora. Tão contrário a si é mesmo Amor... Que não é eterno, mas é infinito, que dói mas não se sente...
Amor é uma palavra, um conceito, uma definição que a gente mesmo deu pra isso que a gente sente com relação a algumas pessoas durante a nossa vida, e que não entende como começa nem porque acaba. A gente imagina que seja um sentimento sublime, único, que nos completa e faz com que todo o resto do mundo pareça sem graça. Mas aí chega alguém muito entendido em assuntos amorísticos e nos diz que o que a gente sente não é amor. É paixão. É desejo. Ou qualquer coisa menos nobre, como se amar fosse divino e não humano. Mas todo mundo sabe dizer como funciona a vida dos outros, apesar de não saber como viver a sua própria, e não vale a pena se incomodar quando a sua vida não funciona do mesmo jeito que a vida das outras pessoas. Se não as coisas que estão dentro da gente correm o risco de parecerem menos importantes do que realmente são.
Todo mundo sabe quando ama alguém, mas nem todo mundo sabe ou aceita que esse amor acabe. E quando a gente vê que acabou dentro do outro antes de ter acabado dentro da gente, todas as coisas tomam um gosto amargo insuportável.
A gente de repente não se encontra, a gente perde nosso orgulho, perde a vaidade, telefona, pede que a pessoa volte, rasteja, chora, sofre, se destrói completamente, até mesmo porque a gente tem certeza de que se entregou pra pessoa até o último fio de cabelo e quer desesperadamente se ter de volta, pelo menos alguma parte suficiente pra suportar a devoção, a rejeição, a solidão...
E, quando a dor parece nunca mais parar, de repente, a gente se dá conta de que o amor passou. Ou nunca existiu. Ou então a gente descobre que toda aquela nossa entrega era na verdade para a idéia de amar, e não para a pessoa que a gente amava. Talvez a gente ame o próprio amor, não o objeto desse amor. Porque afinal, a nossa angústia e o vazio que a gente sente diante da realidade fazem a gente se prender às nossas pequenas certezas como se fossem as maiores verdades do universo.
Todo mundo quer amar. O que é bem melhor que ser amado. Se a gente é amado a gente ganha um tipo de responsabilidade sobre a pessoa que ama a gente. E de vez em quando pode ganhar algumas flores ou bombons... Mas quando a gente ama tudo muda. Parece que de repente surge um sentido pra nossa vida até então ordinária, e a gente investe todas as nossas forças nisso.
Mas talvez isso não seja real. Pelo menos não do jeito que a gente pensa que funciona. Desejar uma pessoa, buscar sempre sua presença, acreditar que ela vá afastar pra sempre a solidão da sua vida e querer que ela acabe com as suas inseguranças, pretendendo que se pertençam um ao outro é bem diferente do desprendimento material, da superação das necessidades físicas e da individualidade, da devoção desinteressada e da inocência que caracterizam isso que a gente chama de amor verdadeiro. Entre uma situação e outra, há várias possibilidades e combinações, como se houvesse vários graus de amor.
O ser humano quer possuir. A história da humanidade nos mostra que o desenvolvimento de todas as civilizações se deu com a busca pelo poder. Se não fosse os EUA hoje, se não tivesse sido a Inglaterra, se não tivesse sido o Império Romano, teriam sido os colonizados os dominadores. Os homens não sabem se relacionar sem essa divisão de poder, que obedece à lei do mais forte, ou do mais atraente, do mais auto confiante...
Será então que isso de amor verdadeiro não existe de verdade? Será que não passa de uma ilusão coletiva, que une duas pessoas com medo da solidão e de sua pequenez no universo, para que a vida pareça ter algum sentido?

Quando a gente toma consciência de certas coisas parece que o nosso conhecimento faz o coração doer mais.
Q nem qdo a gente descobre q não existe papai noel nem coelhinho da páscoa ou fadinha do dente e as nossas cartinhas parecem tão ingênuas, sem sentido e até mesmo patéticas. Do mesmo jeito quando um cristão questiona os dogmas da religião e vira ateu, nunca mais vai conseguir simplesmente aceitar nenhuma doutrina... Talvez sejamos mais felizes dentro da caverna, talvez a pílula vermelha não valha a pena.
O conhecimento tira a nossa inocência.
Eu por exemplo não sei se vou conseguir acreditar de novo que uma outra pessoa possa acabar com a solidão da outra. Todo mundo morre sozinho no final.
A gente pode se casar, viver abraçado e dormir de conchinha com alguém pro resto das nossas vidas. Mesmo assim. lá no fundo, mas lá no fundo mesmo, debaixo desses sentimentos que a gente chama de amor etc... Existe uma solidão eterna a q o ser humano está condenado. E ela é q nem um buraquinho negro q devora a gente por dentro, a medida q a gente sabe q ela existe.
Que saudades eu sinto de quando eu acreditava no amor verdadeiro e desinteressado, e que alguém poderia me amar sem desejar me dominar ou querer ser dominado... Espero muito que eu esteja errada, que eu tenha tomado uma red pill estragada, e que exista realmente um amor humano, do jeito que existe nos poemas e nas músicas..



Escrito por Anaestrel às 19:36:58
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]