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Por uma vida menos ordinária...


3o POST DESCARADO SOBRE AMOR

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Leminski

É, essas coisas do amor não têm jeito mesmo. Bem que a minha mãe sempre disse que "coração é Terra em que não se anda" (e sempre disse mesmo, obrigada Dona Sandra Estrela...). Até que no meu coração, vez ou outra, aparece algum poeta (ou um bêbado, ou um palhaço, ou um completo louco) perambulando... No mais, há somente bolhas de sabão, dessas que se espalham e explodem (Sr. Malabarista, aqui está você!). E basta um breve instante, daqueles de perda total de controle sobre qualquer coisa - geralmente causado por um sorriso ou um cheiro ou um som ou monociclos e palhaços- pra tudo virar de pernas pro ar!
Depois disso vem aqela fase em que a gente resolve ver como andam as coisas e se depara com a pilha de livros atrasados na biblioteca, a conta quilométrica pendurada na padaria, e a infinidade de cartas, prazos contados e perdidos, contas por pagar... Amar é não caber dentro de si mesmo?

"Dizer que brevemente serás metade de minha alma. A metade? Brevemente? Não: já agora és, não a metade, mas toda. Dou-te a alma inteira, deixas-me apenas uma pequena parte para que eu possa existir pôr algum tempo e adorar-te." (Viva Machado de Assis e meus dias de teatro!!!)

E quando de repente tudo acaba e volta ao normal? E quando tudo passa a fazer tanto sentido que a poesia perde a graça? Costuma doer mais em um do que em outro...



Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Camões


O que foi que me deixou assim? Não foi um homem (nem uma mulher). Foi a poesia. E as bolhas de sabão, os malabares, as músicas a SAUDADE DO MAR um carteiro e um Tango. Espero que tudo continue sem fazer sentido na minha vida.



Aqui eu te amo.

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Define-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

Neruda


...
E quando a gente pensa que aquela coisa toda morreu e olha com toda a coragem no fundo dos outros olhos e de repente tudo estremece e dá uma vontade imensa de explodir??? Uma vontade de pedir "por favor exista para sempre ou nunca tenha existido". Uma dor lá no fundo do coração só de pensar que uma hora o olho vai ter que piscar e interromper aquele instante tão gelado e tão quente ao mesmo tempo!! Um soluço que pára ainda na garganda, uma lágrima que faz arder o rosto todo. Um nó, um laço, um grito, um suspiro, um medo, um susto, um desassossego...



Escrito por Anaestrel às 23:05:41
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