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Por uma vida menos ordinária...


E vem essa cigarra no meu peito...

De repente me vem esse coração, que não consegui sufocar com cafeína, num tropeçar sem freio, sem medo desse azul desse céu tão azul e tão claro e tão varrido, sem dó dos meus olhos cansados de olharem pra dentro, sem saber se me faz bem ou mal ao bater ou num suspiro parar pra sempre. E sem querer eu tenho que ver o tamanho disso tudo do lado de fora da janela, e vejo até a árvore da qual meu pai tirou um galho bem grande pra fazer de árvore de natal nos tempos da delicadezas... Eram dias chuvosos como têm sido esses dias todos até hoje de manhã, e de repente essa claridade linda, e a árvore, que era tão mirradinha, sacudindo as folhinhas ao sol, tão forte e tão verde, quase um coqueiro numa praia que nunca mais vou visitar. Um segundo de Serrado bem forte de repente aqui dentro, não cabendo nem em mim nem nessa cidade. E a beleza desse dia que nasceu sem que eu acordasse me assusta. Uma beleza de morte. Uma calma inquietante. Queria que não acabasse nunca, que eu sei bem lá dentro que esse céu azul e lindo vai levar hoje consigo alguma coisa bem forte bem pura bem bruta bem viva quase morta, negra como as crianças que trouxeram da África pra morrer distantes e com medo, mas sabendo que iam pra um mundo colorido e cheio de batuque e som e riso e chêro tempero. Eu sei que vai ser só essa manhã azul brilhante bem doído, e depois o mesmo sem cor de sempre. E quero essa sensação de parto que me enfraquece sem esse galope do meu coração insone e cansado de tanto café sem açúcar que eu jogo nele, e de tanto som sem sentimento, árido e frio, e de tanto vazio. De tanto pó pra tão pouca água. Tanto aperto. Não quero coração vermelho. Preciso dum coração azul, da cor desse céu... Pra quem sabe se sentir mais livre e achar que pode voar por cima desses telhados e se misturar a essa luz que invade todos os cantinhos e caquinhos desse mundão sem fim e sem porteira. Pra quem sabe o salto valer a pena. Pra, quem sabe, mandar o silencio... Pra quem sabe...




Escrito por Anaestrel às 10:59:08
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