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Por uma vida menos ordinária...


Misantropia


Do mundo só sei a palavra...
A palavra presa na garganta.
A garganta aberta, as guelras coladas
O sangue coagulado,
O sufoco.
O silêncio dos índios a morrer de fome em estados inexistentes.
Os chacras despertos.
Os canais todos abertos.
O corpo.
O gado triste indo morrer em silêncio
neste momento
exato.
A vida muda de cada vida submersa.
E o silêncio dos peixes.
Sei o ritmo das coisas que acontecem num ritmo sem sentido.
O fetiche de cada instante.
Sei cada instante.
Do mundo só sei o não saber.
Só sei não querer dessas pessoas mesquinhas
o vazio do que tocam quando estão ao meu lado.
Ou o silêncio do que tocam quando estão sozinhas.
O nada que são.
Seus corações tão sem palavras.
E minha garganta a coagular-se inteira.
Minhas guelras secando,
Meu corpo sendo limpo e
Frito.
E depois digerido.
Consumido num ritual tão sem sentido.
Tão sem nada haver sentido.
Do mundo só sei meu desespero.
Meu desamparo.
Minha solidão.
Do mundo só sei desilusão.
Só sei a fome dos outros.
Fome por corpos sem ossos.
Sem pele, sem gordura.
Sem nervos.
Sem sangue.
Corpos que são devorados o tempo todo
antes mesmo de se perceberem corpos.
Vidas que se findam antes mesmo de se perceberem sós.
Que da vida só sei a solidão.
E o silêncio de palavras que poderiam ser ditas.
Escritas. Gritadas. Vividas. Escutadas.
Da vida só sei palavras esquecidas...
Palavras vazias
Tristes
e frias.
Desta vida e deste mundo não quero mais saber.
Quero a inteireza das pedras,
a infinitude do silêncio.
Quero os carinhos do vento.
A verdade da água.
Quero calar minhas palavras.
Simples anseios.
Apelos.
Surdos e famintos.
Ávidos por mais e mais palavras.
Quero nunca mais tanto vazio.
Quero nunca mais tanto frio.
Quero saciar a fome dos índios.
Quero calar as palavras do mundo!
Deste mundo sei tão pouco
desta vida, quase nada.
E, a cada segundo,
Quero saber menos.


Escrito por Anaestrel às 08:18:46
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