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Nesta escuridão infindável esperava ser uma luz. Mas sou apenas eu. No silêncio inquietante deste universo esperava ser um som. Mas sou apenas eu. Afogada em mil saudades, doces e amargas, perdida entre mil vontades, sou apenas eu. E não há mais poesia, não há mais som, não há mais cor que consigam aliviar o aperto deste coração tão sufocado. A existência é como se nada nunca tivesse existido. Olhando de perto, todos não passam de efígies sombrias. Tudo é tão eternamente distante; tudo me é tão espantosamente estranho. Inclusive eu, que não sou nada além de mim. Estranha. Solitária. Silenciosamente corroída pelo tempo, como todo o resto. Esperava ter a coragem de fazer algum verso. Mas sou apenas eu. Esperava ter alguma coragem. Mas sou apenas eu. Sou apenas eu mesma e não me resta mais ninguém, porque ninguém nunca houve, de fato. 
Escrito por Anaestrel às 17:52:07
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